ENTREVISTA – VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS

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VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS, natural de Santiago do Chile, 57 anos, é ourives de profissão. Começou a trabalhar desde os 13 anos, numa pizzaria. Depois numa serralheria até os 21 anos quando saiu do seu país, fugindo da ditadura implantada por Augusto Pinochet. Foi morar na Argentina, e começou a labutar num curtume, onde aprendeu a fabricar cintos, boinas, bolsas… Iniciou um curso de dança e teatro em Buenos Aires e depois dessa época foi quando aprendeu a profissão de ourives, ao qual trabalhou até 1996. Neste mesmo ano veio morar no Brasil, no Guarujá, Estado de São Paulo, lá começou a vender na praia. Depois foi pra Bahia, passou por Minas Gerais, Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar com garrafas pets. Em 2009, passou pela primeira vez em Roraima. No ano de 2012, estabeleceu-se em Boa Vista, onde realizou diversas oficinas de marionetes. Neste mesmo ano recebeu o convite do pesquisador Joaci Freitas para implantar o Centro Cultural Macunaíma, em Pacaraima. Atualmente, mexe com plantas e possui diversos projetos de teatro de marionetes, a partir de refugos de garrafas pets e outras matérias, cuja ideia principal é a sua reutilização. 

TR – A melhor coisa que aprendi com meus pais… Ser pontual.

TR – O que o senhor pode dizer que seja uma atitude tipicamente sua… Ser protetor.

TR – A quem o senhor deve uma desculpa ou perdão?

VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS – Aos meus pais.

TR – Quem merece um muito obrigado?

VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS – O Sol.

TR – Inteligência é… Não fazer nada apressado.

TR – Alegria é… A natureza.

TR – Mexa comigo, mas não mexa com… Um necessitado.

TR – Em 5 anos quero estar… Em Bariloche, na Argentina.

TR – Pacaraima é… A terra do verde.

TR – Natureza rima com… A felicidade.

TR – E arte… Com a vida.

TR – Onde e com quem aprendeu a trabalhar com refugos de garrafas pets e outro materiais?

VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS – Foi no Rio de janeiro, em Visconde de Mauá, por uma questão de necessidade, pois o dinheiro que havia trazido já tinha ido e precisava ganhar pra pagar aluguel e alimentação e etc… Mas ninguém me ensinou, eu aprendi autodidaticamente. E dai fui criando insetos e depois vieram outras formas.

TR – Quais são as experiências fazendo artesanatos com garrafas pets?

VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS – Fiz várias parcerias com empresas privadas e públicas com projetos nesta seara direcionados a um público em geral no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e aqui em Roraima também. Inclusive em Pacaraima e em Santa Elena do Uairen.

TR – Em sua opinião qual é o melhor grupo alvo para se trabalhar?

VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS – As crianças e adolescentes.

TR – Quais são as maiores dificuldades encontradas pelo senhor para que o seus projetos sejam viabilizados?

VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS – A parte financeira. E também a falta de apoio por parte das empresas e dos entes públicos. Dos entes públicos por não fazer parte de nenhum grupo específico, ou seja, fazer parte de uma panelinha de agregados e pessoas bajuladoras.

TR – O senhor poderia deixar uma mensagem a quem gostaria de começar a trabalhar com essa arte:

VITOR MANUEL SANTANDER CAMPOS – “Vamos reutilizar e dar uma segunda chance para os materiais que são descartados.”

Confira as fotos de seus trabalhos: